A sua vendedora não está lenta
Talvez ela esteja respondendo a mesma pergunta vinte vezes, procurando informação em três lugares e tentando lembrar quem ficou esperando desde ontem. Antes de cobrar velocidade da equipe, vale descobrir quanto do dia dela realmente sobra para vender.
Clemisson AlvesPublicado em 06/10/20267 min de leitura

Direto ao ponto
- Minha equipe demora porque falta gente?
- Talvez. Mas contratar mais uma pessoa para repetir o mesmo processo pode apenas aumentar o tamanho do problema.
- Automação substitui a vendedora?
- Não deveria. Uma boa automação tira da equipe o que não precisa depender dela e devolve a pessoa quando julgamento, negociação ou relacionamento fazem diferença.
- O que mais toma tempo?
- Nem sempre é conversar. É procurar preço, estoque, tamanho, pedido, histórico, pagamento, prazo e descobrir o que aconteceu antes daquela mensagem.
- Então é só colocar inteligência artificial?
- Não. IA em cima de uma operação desorganizada consegue responder mais rápido, inclusive errado.
- Como sei se tenho esse problema?
- Veja quantas vezes sua equipe procura informações, repete respostas, transfere conversas, pede para o cliente esperar ou depende da memória de alguém.
- Por onde eu começo?
- Não pela ferramenta. Comece entendendo o caminho que uma conversa percorre até virar venda ou parar no meio.
Talvez ela não esteja lenta
São 10h17.
Uma cliente pergunta:
"Tem esse no 38?"
Sua vendedora lê.
Abre outro sistema.
Procura o produto.
Não encontra.
Pergunta no grupo da equipe.
Enquanto espera, responde outra pessoa.
Volta para a primeira conversa.
Confere o estoque.
Tem.
"Tem sim."
A cliente pergunta:
"Quanto?"
Ela procura o preço.
Responde.
"Entrega hoje?"
Agora precisa descobrir o prazo.
Enquanto isso, chegaram outras quatro conversas.
Para quem está olhando de fora, aconteceu uma coisa:
a vendedora demorou para responder.
Para quem está dentro da operação, aconteceram quinze.
Esse é o tipo de problema que costuma ser tratado como falta de velocidade da equipe quando, muitas vezes, é falta de estrutura.
A sua vendedora pode não estar lenta.
O caminho até a resposta é que pode estar longo demais.
E quando isso acontece dezenas de vezes por dia, você não perde apenas tempo.
Cria fila.
Só que fila no WhatsApp é diferente da fila no caixa.
No caixa você enxerga quem está esperando.
Também enxerga quem desistiu e foi embora.
No WhatsApp, não.
A pessoa simplesmente para de responder.
E você talvez nunca descubra se ela desistiu da compra, foi atender o filho, entrou numa reunião ou comprou do concorrente.
O cliente não vê o trabalho entre duas mensagens
Para o cliente existe uma pergunta:
"Quanto custa?"
Para a empresa, às vezes existe uma operação inteira antes da resposta.
Onde está o preço?
Tem estoque?
Qual unidade?
Qual tamanho?
Tem entrega?
Qual o prazo?
Essa condição ainda vale?
Esse cliente já falou com alguém?
Já recebeu orçamento?
Já comprou antes?
Quem estava atendendo?
Tudo isso pode acontecer escondido entre duas mensagens.
E existe uma diferença importante aqui.
O cliente não mede esforço.
Ele mede espera.
Ele não sabe que sua vendedora estava atendendo outras seis pessoas.
Não sabe que ela precisou perguntar no estoque.
Não sabe que existem três sistemas abertos.
Não sabe que outra vendedora começou aquele atendimento ontem.
Ele só vê:
10:17
"Tem no 38?"
10:31
"Tem sim."
Quatorze minutos.
Pode parecer pouco.
Até você lembrar que durante esses quatorze minutos ele pode ter feito exatamente a mesma pergunta para outras duas lojas.
E uma delas respondeu em dois.
Por isso tempo de atendimento não é apenas uma métrica de produtividade.
Também é uma variável comercial.
A demora que você enxerga na equipe pode estar aparecendo como venda no caixa de outra empresa.
Contratar mais gente pode multiplicar o problema
Quando a fila aumenta, existe uma solução aparentemente óbvia:
"Precisamos de outra pessoa no WhatsApp."
Pode ser.
Mas antes de contratar, eu faria outra pergunta:
o que está ocupando quem já está lá?
Porque existe uma diferença enorme entre ter gente de menos para atender e ter trabalho demais que não deveria depender de gente.
Imagine que sua equipe passa parte do dia:
consultando estoque;
procurando preço;
mandando formas de pagamento;
confirmando endereço;
perguntando dados;
enviando catálogo;
checando pedido;
respondendo perguntas recorrentes;
tentando descobrir quem falou com aquele cliente antes;
lembrando quem precisava receber retorno.
Você pode contratar outra pessoa.
Agora existem mais pessoas fazendo tudo isso.
A empresa cresce.
Chegam mais conversas.
Contrata outra.
Depois outra.
E, aos poucos, você começa a acreditar que existe uma relação inevitável:
mais conversas = mais gente.
Nem sempre.
Talvez exista trabalho humano demais dentro de tarefas que poderiam estar organizadas de outra forma.
Se você não descobrir isso antes de contratar, pode aumentar a folha sem aumentar na mesma proporção a capacidade de vender.
Você não resolveu o processo.
Só colocou mais uma pessoa dentro dele.
Automação e IA não consertam processo ruim
É aqui que muita empresa pula para o outro extremo.
Se contratar gente não resolve, então coloca tecnologia.
Chatbot.
CRM.
API.
Automação.
Inteligência artificial.
Agente de IA.
Alguma coisa precisa resolver.
Só que existe um problema.
Tecnologia não transforma automaticamente bagunça em processo.
Se ninguém sabe de onde vem determinada informação, a tecnologia também precisa descobrir.
Se o estoque está errado, uma resposta automática pode informar errado.
Se não existe critério para encaminhar uma conversa, automatizar o encaminhamento não cria o critério.
Se ninguém sabe o que deve acontecer depois que o cliente diz "vou pensar", instalar um CRM não inventa o próximo passo.
E existe algo ainda pior.
Quando uma pessoa erra, normalmente ela erra com uma pessoa.
Quando você automatiza um erro, consegue repeti-lo para cem.
Por isso a primeira pergunta não deveria ser:
"O que podemos automatizar?"
Deveria ser:
"Como isso funciona hoje?"
Quem atende?
Onde consulta?
Quanto espera?
O que pergunta?
O que registra?
O que acontece depois?
Onde transfere?
Onde esquece?
Onde a conversa para?
Se essas respostas não estão claras, escolher tecnologia antes de entender a operação é começar pelo final.
Sua equipe está vendendo ou mantendo o atendimento funcionando?
Essa é uma pergunta desconfortável.
Porque uma vendedora pode passar o dia inteiro ocupada e ainda assim ter pouco tempo disponível para aquilo que mais depende dela.
Negociar.
Entender uma objeção.
Recuperar uma venda.
Resolver uma exceção.
Perceber que aquele cliente precisa de outra abordagem.
Fechar.
Fazer um bom pós-venda.
Construir relacionamento.
Agora compare isso com:
consultar preço;
procurar estoque;
mandar localização;
enviar forma de pagamento;
perguntar novamente um dado que a empresa já possui;
procurar histórico;
copiar uma resposta;
descobrir quem estava atendendo;
lembrar de voltar numa conversa.
Tudo ocupa tempo.
Mas nem tudo usa aquilo que existe de mais valioso numa boa vendedora.
A capacidade de vender.
E hoje a discussão nem é simplesmente escolher entre humano e robô.
Automação consegue executar processos.
Inteligência artificial consegue entender contexto e intenção em situações nas quais um menu tradicional seria limitado.
Sistemas conseguem guardar histórico.
Dados conseguem ajudar a decidir o próximo passo.
E pessoas conseguem fazer aquilo em que julgamento, negociação, exceção e relacionamento realmente importam.
O problema começa quando você usa uma pessoa para fazer tudo.
Ou quando tenta colocar tecnologia para fazer tudo.
Nos dois casos existe desperdício.
A questão não é tirar a vendedora do WhatsApp.
É descobrir:
em quais momentos ela realmente precisa estar ali?
Se você não sabe responder, talvez esteja pagando gente para fazer trabalho de sistema e esperando que sobre tempo para vender.
Quanto custa uma vendedora fazendo trabalho que não precisava ser dela?
Agora o problema deixa de ser apenas atendimento.
Vira conta.
Imagine uma vendedora trabalhando oito horas.
Você paga pelas oito.
Mas quanto desse tempo foi realmente usado para vender?
Quanto foi procurando informação?
Quanto foi repetindo resposta?
Quanto foi tentando descobrir quem estava atendendo aquele cliente?
Quanto foi conferindo alguma coisa que poderia estar disponível na própria conversa?
Quanto foi voltando para procurar quem precisava de retorno?
Quanto foi simplesmente mantendo o atendimento funcionando?
Agora multiplique isso pela equipe.
Depois por 22 dias.
Depois por 12 meses.
Talvez você descubra que o problema nunca foi:
"Minha vendedora é lenta."
O problema pode ser:
"Eu não sei quanto da folha que pago está sendo usada para vender."
E ainda falta outra conta.
Quanto custa a conversa que esperou?
A cliente que chamou três empresas e comprou da primeira que resolveu?
O orçamento que ninguém retomou?
A pessoa que disse "vou pensar" e nunca recebeu outra mensagem?
O cliente que precisava de uma informação simples e desistiu no caminho?
Essa conta é mais difícil.
Porque o dinheiro que você não ganhou não aparece no extrato.
Não existe uma linha escrita:
Venda perdida porque demoramos 14 minutos: R$ 347.
Ela simplesmente não entra.
E é justamente por isso que uma operação pode perder dinheiro todos os dias sem parecer que existe alguma coisa quebrada.
A equipe trabalha.
O WhatsApp toca.
As mensagens são respondidas.
Algumas vendas acontecem.
O mês termina.
E ninguém sabe quantas poderiam ter acontecido.
Por isso eu não começaria contratando outra pessoa.
Também não começaria comprando um chatbot.
Nem CRM.
Nem inteligência artificial.
Eu começaria descobrindo onde o tempo da equipe está indo e onde as conversas estão parando.
É isso que eu procuro quando analiso uma operação.
Talvez você realmente precise contratar.
Talvez precise automatizar.
Talvez inteligência artificial faça sentido.
Talvez precise organizar o processo antes de qualquer uma dessas coisas.
Ou talvez existam os quatro problemas acontecendo em lugares diferentes.
Sem olhar para a operação, qualquer resposta é chute.
E talvez a pergunta mais importante não seja se a sua vendedora está lenta.
É outra:
quanto dinheiro está ficando pelo caminho enquanto ela tenta dar conta de tudo?
Quanto custa uma vendedora fazendo trabalho que não precisava ser dela
Sobre Clemisson Alves
API Oficial do WhatsApp, automação e operação comercial para empresas que já vendem.
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