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Clemisson Alves

Ter o contato não significa ter permissão para mandar mensagem

Sua base pode ter milhares de números e ainda assim você não saber com quem realmente pode conversar. Consentimento não é burocracia. É o dado que separa uma operação inteligente de uma lista de disparos.

Clemisson AlvesPublicado em 04/10/20268 min de leitura

Um vendedor mostra o celular a uma cliente. Na tela, uma mensagem pergunta se ela quer continuar recebendo, com dois botões: “Receber informações”, em verde, e “Sair da lista”.

Direto ao ponto

Se o cliente me passou o WhatsApp, posso mandar mensagem?
Não é essa a pergunta. A pergunta é: para que ele passou o número e o que espera receber de você?
E se ele já comprou de mim?
Você tem uma relação com ele. Isso não significa que qualquer mensagem, sobre qualquer assunto, será esperada.
Então preciso pedir autorização?
Você precisa deixar claro o que pretende enviar e permitir que a pessoa escolha se quer continuar recebendo aquele tipo de comunicação.
E quem já está na minha base há anos?
É justamente aí que mora um dos maiores problemas. Você tem o contato, mas talvez nunca tenha registrado a intenção daquela pessoa.
Onde entram CRM e automação?
Para a empresa lembrar o que cada pessoa decidiu. Quem quer receber, sobre o quê, por quê e quem não quer mais.
E a API Oficial?
Ela dá infraestrutura para operar em escala. Mas escala sem contexto só faz uma mensagem ruim chegar a mais gente.

Sua base não é do tamanho que você pensa

Uma empresa me diz:

"Clemisson, temos 20 mil contatos."

Minha primeira reação não é pensar em uma campanha para 20 mil pessoas.

Eu quero saber quem são essas 20 mil pessoas.

Tem cliente que comprou ontem.

Tem alguém que pediu orçamento há seis meses.

Tem quem chamou pelo Instagram.

Tem quem deixou o telefone para receber uma nota.

Tem cliente antigo.

Tem lead que nunca comprou.

Tem gente que pediu para ser avisada quando determinado produto voltasse.

E provavelmente tem gente que nem lembra mais por que aquela empresa possui seu telefone.

Colocar todo mundo dentro da mesma planilha não transforma essas pessoas em uma audiência.

Transforma apenas em uma lista de contatos.

É por isso que uma das primeiras coisas que observo quando entro numa operação é a qualidade da base.

Não quero apenas:

Nome + telefone.

Quero encontrar:

Origem + interesse + histórico + intenção + próximo passo.

Porque ter o número de alguém e ter um motivo para conversar com essa pessoa são coisas completamente diferentes.

Consentimento começa pelo motivo da conversa

Existe uma maneira ruim de pensar nisso:

"Como faço o cliente autorizar para depois eu poder mandar minhas campanhas?"

O problema começa na própria pergunta.

Você está tentando conseguir uma autorização para resolver uma necessidade da empresa.

Eu prefiro inverter:

"Que mensagem essa pessoa teria interesse em receber de mim?"

Imagine uma cliente procurando uma determinada peça no tamanho 38.

Acabou.

Você pode simplesmente encerrar o atendimento.

Ou pode perguntar:

"O 38 acabou. Quer que eu te avise quando chegar?"

Agora existe contexto.

Ela sabe o que pediu.

Você sabe o que precisa avisar.

E quando aquela mensagem chegar, existe uma boa chance de ela lembrar exatamente por que está recebendo.

O consentimento não apareceu como uma burocracia no final do atendimento.

Apareceu como continuação de uma necessidade do cliente.

E isso muda tudo.

Uma coisa é perguntar

  1. Quer receber nossas novidades e promoções?

1 mensagem

Outra completamente diferente é perguntar

  1. Quer que eu te avise quando chegar o 38?

1 mensagem

Na primeira, você está pedindo um favor para a empresa.

Na segunda, está oferecendo um serviço para o cliente.

E quando a empresa já tem milhares de contatos?

Esse é um cenário que encontro bastante.

A empresa não começou ontem.

Ela vende há anos.

Tem milhares de números armazenados, históricos de atendimento, compradores antigos, leads e pessoas que passaram pelo WhatsApp em momentos completamente diferentes.

Só que existe um problema:

ninguém sabe exatamente quem espera continuar recebendo mensagens.

Nesse caso, antes de sair disparando campanha, uma das estratégias possíveis é trabalhar a própria base para entender quem ainda quer manter essa comunicação.

Em vez de presumir interesse, pergunte.

Você pode identificar de onde aquela relação surgiu e colocar uma decisão clara na mão da pessoa:

RECEBER INFORMAÇÕES

ou

SAIR DA LISTA

Parece simples.

Mas existe uma diferença enorme entre continuar mandando mensagens porque a pessoa está na sua base e continuar porque ela acabou de demonstrar que quer recebê-las.

O objetivo não deveria ser manter o maior número possível de pessoas dentro da lista.

O objetivo deveria ser descobrir quem ainda quer estar nela.

Porque uma base grande não significa necessariamente uma base boa.

E agora aconteceu algo importante.

A pessoa tomou uma decisão.

Essa decisão precisa virar dado.

O clique precisa virar informação

É aqui que muita operação perde uma oportunidade enorme.

A pessoa clicou em:

RECEBER INFORMAÇÕES.

Ótimo.

E depois?

Se nada for registrado, daqui a três meses a empresa estará novamente olhando para uma lista de telefones sem saber quem é quem.

É por isso que consentimento não deveria morar apenas na conversa.

Ele precisa virar informação dentro da operação.

Você pode registrar, por exemplo:

Aceitou receber comunicação: sim.

Quando aceitou.

Por qual canal.

De onde esse contato veio.

O que já comprou.

Qual interesse demonstrou.

Quando aconteceu a última interação.

E esse contexto vai sendo enriquecido.

Comprou.

Clicou.

Respondeu.

Pediu orçamento.

Demonstrou interesse.

Não respondeu.

Pediu para ser avisado.

Pediu para sair.

Agora você não tem apenas um telefone.

Você começa a construir uma história.

É assim que uma lista começa a virar uma base inteligente.

Consentimento não é apenas um campo marcado no CRM.

É uma decisão do cliente que a sua operação precisa ser capaz de lembrar.

E lembrar direito.

Porque existe outro erro.

A cliente disse:

"Pode me avisar quando chegar o 38."

Dois meses depois recebe:

"Olá! Temos novidades incríveis esperando por você."

Foi isso que ela pediu?

Não.

Ela pediu para saber quando o 38 chegasse.

A mensagem deveria ser muito mais próxima de:

"Oi, Ana. Lembra daquele modelo que você queria no 38? Chegou hoje."

Uma mensagem interrompe.

A outra continua uma conversa.

Sair da lista também é um dado

Essa parte parece contraintuitiva.

A empresa passou anos tentando construir uma base.

Por que facilitaria para alguém sair?

Porque uma pessoa que não quer receber sua mensagem não aumenta o valor da sua base só porque continua cadastrada.

É apenas mais um número.

E pode se tornar um problema.

Quando sair é fácil, quem não quer mais receber simplesmente sai.

Quando sair é difícil, a alternativa pode ser bloquear ou denunciar.

Nos dois casos você perde aquele contato.

Só que em um deles a pessoa simplesmente exerceu uma escolha.

No outro, deixou um sinal negativo sobre a sua comunicação.

Eu prefiro saber.

Não quer mais?

Registre.

Pare de enviar.

Preserve a relação.

E use essa informação para melhorar a própria operação.

Porque o pedido para sair também ensina.

Se poucas pessoas saem, você tem um cenário.

Se muita gente sai depois de determinada campanha, tem outro.

Talvez seja frequência.

Talvez seja a oferta.

Talvez seja a mensagem.

Talvez seja segmentação.

Talvez aquela base nunca tenha sido tão boa quanto você imaginava.

Mas agora você tem informação para analisar.

É aqui que entram API Oficial, CRM, automação e inteligência artificial

Perceba que até aqui eu praticamente não falei de ferramenta.

Isso é proposital.

Quando construo uma operação de vendas no WhatsApp, não começo pensando:

"Qual automação vamos colocar?"

Eu começo tentando entender:

Quem entra?

De onde vem?

O que procura?

O que precisamos guardar?

O que essa pessoa autorizou?

Qual foi a última conversa?

Quando devemos falar novamente?

Quando não devemos falar?

Qual decisão do cliente precisa ser lembrada?

Só depois disso tecnologia começa a fazer sentido.

A API Oficial do WhatsApp cria a infraestrutura para operar profissionalmente e em escala.

O CRM preserva o contexto.

A automação executa processos que não deveriam depender da memória de alguém.

A inteligência artificial ajuda a interpretar conversas, classificar interesses, organizar informações e apoiar os próximos passos.

E os dados mostram o que está funcionando e o que precisa mudar.

Existe uma ordem.

Humano decide.

IA orquestra.

Sistema executa.

Dados ensinam.

Se você inverter essa ordem e começar pelo disparo, vai apenas automatizar a bagunça.

É por isso que meu trabalho não é simplesmente colocar um robô para responder WhatsApp.

Eu organizo a base, desenho os caminhos da conversa, defino o que precisa ser registrado e construo uma operação em que atendimento, acompanhamento, venda e reativação não dependam apenas da memória de alguém.

A tecnologia entra para preservar contexto e executar o processo.

Não para decidir arbitrariamente quem deve receber mensagem.

O teste que eu faria hoje na sua operação

Não precisa comprar ferramenta.

Não precisa trocar de CRM.

Não precisa contratar ninguém.

Pegue dez contatos aleatórios da sua base.

Agora tente responder:

De onde essa pessoa veio?

Por que ela passou o telefone?

Quando vocês conversaram pela última vez?

O que ela demonstrou interesse?

O que ela comprou?

Ela pediu para ser avisada sobre alguma coisa?

Existe algum registro sobre o tipo de comunicação que ela quer receber?

Se você mandar uma mensagem agora, ela vai entender imediatamente por que sua empresa está falando com ela?

Se você não consegue responder, encontrou um problema.

E ele não é falta de campanha.

É falta de contexto.

Talvez você tenha 20 mil contatos no sistema e uma base comercial utilizável muito menor.

Tudo bem.

Eu prefiro uma base menor que me diz quem é, o que quer e por que posso conversar com ela do que uma planilha enorme onde todo mundo recebe a mesma mensagem.

Porque vender pelo WhatsApp não deveria significar encontrar maneiras cada vez mais eficientes de disparar.

Deveria significar construir uma operação capaz de continuar conversas que fazem sentido.

Essa é uma pergunta muito mais importante do que:

"Quantos contatos eu tenho?"

Olhe para sua base e tente descobrir quantas pessoas você consegue chamar hoje sabendo:

quem são,

de onde vieram,

o que querem,

o que já compraram,

o que demonstraram interesse em receber

e quando aconteceu a última conversa.

Esse número provavelmente é diferente do total de contatos que aparece no seu sistema.

Quantas pessoas da sua base realmente querem receber sua mensagem?

E é esse número que eu gostaria de descobrir primeiro.

Sobre Clemisson Alves

Clemisson Alves monta operações de venda no WhatsApp: organiza a base, liga a API Oficial e põe o atendimento para funcionar com automação e inteligência.

Já perdeu uma conta com capacidade para cem mil disparos, e boa parte do que ele escreve aqui vem de lá.

Não garante que o seu número não vai cair, e diz isso antes de assinar.

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