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Clemisson Alves

A última vez que você falou com ela foi quando ela pagou

Conta quantas vezes você falou com quem comprou de você nos últimos noventa dias. Em muita empresa, o número é um. E foi no dia da venda.

Clemisson AlvesPublicado em 08/10/20267 min de leitura

No celular, uma conversa de venda termina em Pagamento recebido. Ao lado, um calendário com o dia 10 circulado e caixas etiquetadas pós-venda, acompanhamento, recompra e reativação.

Direto ao ponto

O que é acompanhamento pós-venda?
É a venda não terminar no pagamento. Depois que alguém compra, precisa existir um próximo passo.
Quantas vezes eu deveria falar?
Depende do que você vende. O problema não é não ter quatro ou cinco mensagens. É não ter nenhuma.
Isso não é encher o cliente de mensagem?
Pode ser, se você escrever sem motivo. Mas perguntar sobre uma compra, confirmar uma entrega ou ajudar com o que a pessoa levou tem contexto.
O que eu mando se não tenho promoção?
Você não precisa de promoção. Fale sobre o que aconteceu: pagamento, pedido, entrega, uso, resultado, dúvida ou necessidade.
Preciso da API Oficial para fazer isso?
Não para começar. Primeiro você precisa saber quem comprou, o que comprou e qual deveria ser o próximo passo. A tecnologia entra quando você precisa fazer isso sem depender da memória.
Isso faz o cliente comprar de novo?
Pode ajudar. Mas existe algo anterior à recompra: impedir que o relacionamento termine exatamente quando a pessoa vira cliente.

A venda terminou e ninguém percebeu

Faz um teste.

Pega dez pessoas que compraram de você nos últimos noventa dias. Não precisa olhar a base inteira. Dez.

Abre a conversa de cada uma no WhatsApp e procura a última mensagem enviada pela sua empresa.

Agora responde:

em quantas delas existe alguma conversa depois da venda?

Em muita operação que eu analiso, a história termina quase sempre do mesmo jeito.

  • "Pagamento recebido."

  • "Obrigado pela compra."

  • "Qualquer coisa me chama."

Fim.

Isso é curioso porque, antes do pagamento, acontece exatamente o contrário.

  • A empresa responde.

  • Pergunta.

  • Manda foto.

  • Explica.

  • Negocia.

  • Tira dúvida.

  • Chama novamente.

  • Pergunta se a pessoa conseguiu decidir.

Às vezes faz dois, três, quatro contatos tentando recuperar quem ainda não comprou.

Até que o cliente finalmente diz sim. Paga. E a empresa para.

Percebe a inversão?

Você acompanha quem ainda não confiou em você e para de acompanhar justamente quem acabou de confiar.

O problema não é simplesmente falta de pós-venda. Existe uma coisa anterior.

O processo comercial da empresa termina cedo demais. A venda foi tratada como linha de chegada. Quando deveria abrir uma nova etapa.

O problema não é falta de mensagem

Quando pergunto sobre pós-venda em uma Sessão de Diagnóstico, eu não estou tentando descobrir apenas se a empresa manda uma mensagem depois da compra.

Estou tentando descobrir se existe processo.

Porque existe uma diferença enorme entre:

"Às vezes a vendedora chama."

e:

"Quando alguém compra, isso acontece."

A primeira frase depende de uma pessoa lembrar. A segunda descreve um processo.

E essa diferença aparece em várias partes da operação.

  • Quem chama o orçamento que não respondeu? Quando?

  • Quem acompanha o cliente depois da compra? Quando?

  • Quem percebe que um cliente não compra há seis meses?

  • Quem sabe o que ele comprou da última vez?

  • Quem sabe se existe alguma coisa pendente?

  • Quem decide quando faz sentido falar novamente?

Se cada resposta começa com:

  • "Normalmente a menina do atendimento..."

  • "Eu acho que..."

  • "Quando a gente lembra..."

  • "Tem uma pessoa que costuma..."

Então eu já sei que existe um problema. Não necessariamente de equipe. De processo.

A empresa tem pessoas trabalhando. Mas parte da operação está guardada na memória delas.

E memória não é processo.

Toda venda deveria deixar um próximo passo

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes que você pode colocar dentro da sua operação:

o que acontece depois?

  • O cliente chamou. O que acontece depois?

  • Pediu orçamento. O que acontece depois?

  • Disse que vai pensar. O que acontece depois?

  • Comprou. O que acontece depois?

  • Recebeu. O que acontece depois?

  • Passaram trinta dias. O que acontece depois?

Quando não existe resposta, a conversa fica parada até alguém lembrar dela.

E é exatamente aí que dinheiro começa a escapar sem aparecer em relatório nenhum.

No pós-venda, isso fica ainda mais evidente.

Uma pessoa comprou hoje. O próximo passo pode ser confirmar o pedido. Depois pode ser avisar sobre a entrega. Depois perguntar se chegou.

Dependendo do que você vende, pode existir um momento para saber se conseguiu usar. Mais adiante, talvez exista uma nova necessidade.

Mas eu não criaria uma regra dizendo que toda empresa precisa mandar quatro mensagens em trinta dias.

  • Uma loja de roupas não tem a mesma jornada de uma ótica.

  • Uma agência de viagens não tem a mesma jornada de uma clínica.

  • Quem vende um curso não tem a mesma jornada de quem vende um sofá.

A pergunta certa não é:

"Quantas mensagens devo mandar?"

É:

"Quais acontecimentos dessa compra justificam uma próxima conversa?"

A partir daí você encontra a cadência. E percebe uma coisa importante:

pós-venda não começa escrevendo mensagem. Começa desenhando o que deveria acontecer depois da venda.

O que acontece quando isso fica na memória

Aqui está um problema que encontro com frequência.

A empresa sabe muita coisa. Só não consegue usar.

  • A vendedora sabe que Maria comprou um vestido para uma festa.

  • Alguém lembra que João pediu para avisar quando determinado produto chegasse.

  • Outra pessoa sabe que Carla reclamou do tamanho.

  • O dono lembra que determinado cliente compra todo mês.

  • Talvez alguém saiba que uma cliente pediu orçamento e falou que voltaria depois do pagamento.

Existe informação. Mas ela está espalhada.

  • Uma parte está no WhatsApp.

  • Outra está no sistema de vendas.

  • Outra está numa planilha.

  • Outra está no celular de alguém.

E muita coisa está apenas na cabeça de quem atendeu.

É por isso que uma pergunta aparentemente simples pode travar uma empresa inteira:

quais clientes que compraram nos últimos noventa dias deveriam receber uma mensagem hoje?

Se para responder você precisa perguntar para três pessoas, abrir dezenas de conversas ou tentar lembrar quem comprou o quê, você encontrou o problema.

Não é falta de contato. É falta de contexto organizado.

E isso muda completamente a conversa sobre WhatsApp.

Porque talvez você tenha cinco mil contatos. Talvez dez mil. Talvez cinquenta mil.

Mas quantidade de telefone não diz quantas relações você consegue continuar.

Uma base começa a ganhar valor quando você consegue responder:

  • quem é essa pessoa;

  • o que aconteceu;

  • em que momento ela está;

  • e qual deveria ser o próximo passo.

Sem isso, você tem contatos. Com isso, começa a ter uma operação.

Depois que alguém compra, existe um próximo passo definido?

Essa é uma das coisas que eu procuro quando faço um raio-X de uma operação. Não quero saber apenas quantos contatos existem. Quero descobrir quantas oportunidades estão paradas porque ninguém sabe o que deveria acontecer depois.

Onde entram CRM, API Oficial e automação

É normalmente aqui que aparece a vontade de comprar ferramenta.

  • CRM.

  • API Oficial do WhatsApp.

  • Automação.

  • Inteligência artificial.

Tudo isso pode fazer sentido. Mas não começa aí.

Se ninguém definiu o que deveria acontecer depois da compra, automatizar não resolve o problema. Você só automatizou a ausência de processo.

Primeiro precisa existir uma lógica.

  • Quem recebe?

  • Por que recebe?

  • Em que momento recebe?

  • O que queremos descobrir ou resolver?

  • Qual é o próximo passo depois da resposta?

Quando essas respostas existem, a tecnologia começa a fazer um trabalho muito interessante.

  • O CRM pode guardar o histórico.

  • A API Oficial pode permitir que a operação continue sem depender do celular de uma única pessoa.

  • A automação pode lembrar que chegou a hora de uma ação.

  • A inteligência artificial pode ajudar a organizar contexto, identificar padrões e preparar informações para quem vai atender.

E a equipe entra onde realmente agrega valor.

Percebe a ordem?

Entender → organizar → registrar → medir → automatizar → otimizar → escalar.

Eu não começo uma operação perguntando:

"Qual automação vamos colocar?"

Eu quero saber primeiro:

"O que deveria acontecer aqui e hoje não acontece?"

Porque tecnologia aplicada em processo ruim só faz o processo ruim acontecer com mais eficiência.

O que dá para mudar no próximo atendimento

Você não precisa esperar CRM. Não precisa esperar API. Não precisa contratar automação.

Pode começar na próxima venda.

Quando alguém comprar, anote:

  • quem comprou;

  • o que comprou;

  • quando comprou;

  • qual é o próximo passo;

  • quando esse próximo passo deveria acontecer.

Cinco informações.

Agora você tem algo muito diferente de um comprovante. Tem uma venda com continuidade.

Quando chegar o momento, faça o contato.

"Chegou tudo certinho?"

Talvez a resposta seja: "Chegou, adorei." Ótimo.

Talvez seja: "Chegou, mas fiquei com uma dúvida." Agora você pode ajudar.

Talvez seja: "Na verdade eu estava querendo falar com vocês..." Melhor ainda.

Você acabou de encontrar uma conversa que provavelmente ficaria escondida.

E pode acontecer algo ainda mais importante.

Depois de algumas semanas fazendo isso, você começa a perceber padrões.

  • As mesmas dúvidas.

  • Os mesmos problemas.

  • Os mesmos momentos.

  • As mesmas perguntas.

Agora existe informação suficiente para melhorar o processo.

É aí que eu começaria a pensar em automação. Não para substituir a conversa. Para impedir que a conversa dependa de alguém lembrar.

Essa diferença é enorme.

Automatizar não é mandar mensagem sozinho.

É fazer o processo continuar mesmo quando ninguém lembrou de continuar.

E o humano continua onde precisa estar.

  • Quando existe dúvida.

  • Quando existe exceção.

  • Quando existe negociação.

  • Quando existe problema.

  • Quando existe uma decisão que não deveria ficar na mão de uma regra.

É assim que eu penso uma operação de WhatsApp.

O sistema não substitui relacionamento. Ele impede que o relacionamento desapareça por falta de processo.

Agora volta para aquelas dez conversas do começo. Olha novamente para a última mensagem.

Se a conversa terminou quando o cliente pagou, faça uma segunda pergunta:

ela terminou porque não havia mais nada para acontecer ou porque ninguém definiu o que aconteceria depois?

Essa resposta vale mais do que contar quantas mensagens você manda por mês.

Porque o problema talvez nunca tenha sido falta de pós-venda.

Talvez o problema seja que a sua empresa considera encerrada justamente a conversa que mais custou para conquistar.

Depois que alguém compra de você, o que acontece?

Essa é uma das perguntas do raio-X. E "a gente espera ela chamar de novo" também é uma resposta. Só não é um processo.

Sobre Clemisson Alves

Clemisson Alves monta operações de venda no WhatsApp: organiza a base, liga a API Oficial e põe o atendimento para funcionar com automação e inteligência.

Já perdeu uma conta com capacidade para cem mil disparos, e boa parte do que ele escreve aqui vem de lá.

Não garante que o seu número não vai cair, e diz isso antes de assinar.

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